Sobre o Divórcio

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Apesar das estatísticas virem provar que os divórcios estão a diminuir, a verdade é que são o prato do dia. 

Eu com os meus 29 anos faço parte da estatística, não era para ser (nunca é), há 3/4 anos, estava bem longe do meu imaginário.

Comecei este blog para partilhar algumas das minhas coisas, dos trapinhos, das viagens, das dicas, do que gosto, partes da minha vida e quando o comecei, o primeiro post, foi sobre o meu casamento, o meu dia, as dicas, como correu… Não durou muito mas o dia correu muito bem 😀

Há uns dias pensei, se eu partilhei o meu casamento, porque é que não haverei de falar sobre o meu divórcio? Existem tantas pessoas a passar pelo mesmo e eu na altura talvez tivesse agradecido, ler alguma coisa do género.

Casar não é só para ser bonito ou porque se quer festa, casamos porque gostamos da outra pessoa e nos imaginamos a construir uma vida a dois. Prometemos ali viver um para o outro e a partilhar-nos de coração. Nem sempre acaba bem, como é o caso mas a vida não é linear e também não se fecha ali, há muita felicidade para ser encontrada pela frente.

Eu namorei 8 anos, aqui por Lisboa dizem-me que é muito hábito das terras mais pequenas, quem vem estudar para cá, normalmente já vem com dono(a) e realmente é verdade, gente de cá maioritariamente arranjaram namoros já na universidade.

Comecei a namorar cedo, não digo que seja mau ou bom porque muitos dizem que começar a namorar cedo é uma grande asneira, perde-se muita coooisa, não se tem aqueles anos da juventude… por aí. Não é uma coisa que se programe, “Olha espera lá, gostamos um do outro mas vamos meter isto em standby, curtir a vida e daqui a uns anos combinamos melhor” ahah, era giro. Se gostamos da pessoa, ganha-se muita coisa, passa a ser o melhor amigo e é bom. Eu fui muito feliz no meu namoro, crescemos juntos, amadurecemos juntos, passamos por algumas coisas, fomos o braço direito um do outro e depois quis o destino que não aguentássemos, 1 ano casados, a 1 semana de fazermos 1 ano de casados as coisas romperam (a minha vida é irónica) e nós até já tínhamos tido um ano de estágio a viver juntos mas as coisas são como são, não existem fórmulas secretas.

Eu separei-me a gostar dele e por isso esta partilha, porque eu sei que dói, porque se sofre horrores, perde-se o chão, existem alturas que até custa respirar e sentimos-nos um fracasso (então isto não era para ajudar?) São dias terríveis não vou mentir, é uma coisa que nem conseguimos acreditar que está a acontecer “Isto é um sonho mau, vou mandar aqui umas estaladas a mim mesma que já acordo!”

Tornámos-nos incompatíveis talvez, começámos a caminhar por caminhos paralelos, por muito que eu tentasse puxar a corda, ela só esticava e partiu, porque já a sofrermos (sofrem os dois), chega a uma altura em que temos de olhar para nós mesmos, para a nossa saúde mental e pensarmos “O que é que tu estás a fazer a ti mesma?”. E o “já não dá” dos dois veio, eu feita num autentico trapo, emagreci, chorei, pensei que houvesse volta a dar, imaginei que fosse passageiro, só uma crise mas não foi. A corda partiu mesmo e já não havia nó de marinheiro que a voltasse a juntar, assinámos o divórcio e cada um seguiu com a sua vida.

O maior amor que tive foi da minha família e dos meus amigos, é o melhor que temos, até aqueles amigos, que durante anos estamos afastados, por termos vidas diferentes porque acontece, esses voltaram a mim e eu a eles e é tão bom, sabermos que há tanta gente que gosta de nós e que está ali, perto do abismo são essas pessoas que nos puxam para trás e nos abanam “Então estás parva? Isto não é o fim do mundo em cuecas mulher!”

E começamos a recuperar, pedacinho a pedacinho, não vale ficarmos sozinhos se for para nos martirizarmos e estar sempre a pensar no mesmo, assim somos cruéis connosco, de alguma maneira estando com os nossos, são momentos em que esquecemos um pouco o que se está a passar e ainda conseguimos dar uns sorrisos mesmo que amarelos e alinhar nalgumas parvoíces que se vão dizendo, é a melhor terapia.

É ouvir um “vamos?” e nós vamos! É receber um convite “Anda cá jantar” e nós pomo-nos logo a caminho sem pensar 2 vezes! É escutar uma sugestão “Muda o penteado, usa isto, experimenta aquilo, muda alguma coisa em casa” e nós “porque não?”. Essas pequenas mudanças, acreditem, ajudam muito porque nos fazem cuidar de nós, olhar para nós, encarar o espelho…

Eu aderi ao alisamento habituei-me até agora, grande vício! Entrei na onda da extensão de pestanas mas entretanto abandonei, não tinha muita paciência para as manutenções, fiz a operação a laser, algo que já queria há muitos anos, mudei o meu estilo, não por plano mas porque de repente, deixei de achar assim tanta graça ao “super princesa com super detalhes diferentes” e passei a ser mais sóbria (ainda invento :D) e menos menina.

A maior sorte do mundo é que ainda casada, já me tinha inscrito no curso de consultoria de imagem e de coaching, que iriam começar poucos dias depois de me divorciar e eu fui! E ajudou-me tanto, conheci pessoas queridas, gente que tinha passado pelo mesmo há pouco, que me mostrou a forma de encarar, que também me arrancou de casa, que me fez deixar de ter medo de conduzir mesmo à noite, me mostrou melhor Lisboa, fez-me entender que eu preciso acima de tudo de mim e ainda por cima estava a aprender algo que realmente gostava.

Passaram-se alguns meses e todos os dias nós acordamos melhores, melhor com a vida, melhor connosco, melhor com o mundo, a auto-estima vai elevando, vamos curando, é o processo.

E depois, já com os bocadinhos todos colados, esta menina resolveu fazer asneirada novamente!!

Eu estava a sentir-me sarada mas tinha estado com alguém tantos anos, de alguma maneira, continuava carente e veio o passo em falso, nova relação, não durou um ano, não foi um mar de rosas em tão pouco tempo, incompatíveis a sério que devíamos ter recebido uma medalha! Não nos entendíamos nem a pedir por favor mas eu ainda teimei até onde pude, até que cheguei àquela “Então pah!? Já não tinhas aprendido?”. E acabou. Desta vez, claro, foi menos doloroso, foi muito desgaste em tão pouco tempo, devo ter sentido de certa forma alivio e ele também e talvez na realidade não gostávamos assim tanto um do outro. NÃO DECIDAM NADA COM A CARÊNCIA!

Isto para mostrar que às vezes se volta a cair e a fazer asneiras mas vamos aprendendo e seguindo, é para isso que essas pedras cá estão, para nos ensinar. Eu não sou mais a menina que se divorciou, nem a menina do namoro seguinte, tudo isso me fez mais mulher. Sou a mesma tonta de sorriso fácil, cabeça na lua, romântica, que gosta de mimos (se nós não deixarmos, não nos conseguem avariar) mas sou diferente, aprendi a dizer “não”, a impor-me, a deixar de ouvir tanto as opiniões dos outros, a não ser que eu peça, se eu não pedir, por favor falem do tempo 😉

Abri-me mais para o mundo, deixei de ter medo e receio de tanta coisa, acho que me tornei  mais aventureira e mais “Bora lá!”. Virão aí mais tempos complicados, mais más decisões, mais pedras, talvez outro “apontar de dedo podre” (oh Deus livra-me ahah) mas aprendemos e ultrapassamos, molda-nos, basta não nos fecharmos ou perdermos a esperança, se não tornamos-nos uns velhos chatos 🙂

Há tanto pela frente, tanta gente, tantos amores possíveis, tanto que nos podemos mimar a nós mesmos que não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Por enquanto estou sozinha, a aprender, a crescer, a divertir-me, faz bem e tenho-me sentido bem, o resto o destino decidirá.

Sarem, respirem fundo, não pensem que aquele(a) “vai ser sempre, homem ou mulher, o amor para a vida”, o amor das nossas vidas somos nós e quando forem, os nossos filhos mas sempre nós e quando nos pusermos em primeiro, é bem provável que umas das possíveis almas gémeas, dos contos “E viveram felizes para sempre”, apareça ali ao virar da esquina, quando menos esperamos.

 

Sejam Felizes*

KissKiss

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